Uma velha máxima afirma que a necessidade é a mãe de todas as invenções. Com os códigos de barras não foi diferente. Seu berço é localizado nos Estados Unidos, e a semente de sua criação foi lançada a partir de uma necessidade de negócios.

O cartão perfurado, inicialmente utilizado para pesquisas do censo nos Estados Unidos, é um grande antepassado tanto dos computadores, servindo como meio de inclusão de dados e comandos nas máquinas, como dos códigos de barras. Seu sistema era muito semelhante ao de dados binários, um dos componentes do “esqueleto” dos códigos de barras da atualidade.

Primeiros passos para fazer os códigos de barras

Em um dia como outro qualquer, em 1948, Bernard Silver, um estudante universitário de do Instituto de Tecnologia de Drextel, na Filadélfia, ouviu uma conversa entre um comerciante local e um dos reitores do instituto. O homem dirigia uma rede de lojas do ramo alimentício, e percebia uma necessidade crescente de automatizar o processo de pagamento no caixa. O reitor não se entusiasmou com a solicitação de pesquisa, mas o colega para quem Silver contou o que ouvira, sim. Seu nome era Normand Joseph Woodland.

Os estudantes combinaram esforços pelas décadas seguintes para desenvolver um sistema de leitura de dados à altura das demandas comerciais. Após desenvolverem o núcleo dos códigos binários, bem como um sensor plenamente capaz de efetuar a leitura dos dados, a dupla vendeu sua invenção patenteada para uma empresa chamada RCA. Silver morreu em 1962, antes de ter a chance de ver o invento em funcionamento no mercado. Em 1992, Woodland recebeu a medalha nacional de tecnologia das mãos do então presidente norte-americano, George W. Bush. No entanto, não chegou nem perto de ganhar tanto dinheiro quanto era de se esperar de um segmento que vale mais de um bilhão de dólares.

Implementação de códigos de barra nos trilhos do trem

A primeira tentativa de implementação de códigos de barra em âmbito industrial ocorreu em meados de 1950. Em 1967, a associação norte-americana de ferrovias adotou um modelo de código de barras de leitura ótica. O sistema incluía aplicação de identificação nos vagões, bem como a instalação de leitores para os dados. Especialmente devido ao alto custo envolvido, o processo foi interrompido na década de 1970. Até então, cerca de 95% dos trens já havia recebido sua identificação exclusiva.

Foi o ano de 1981 que consagrou a aplicação de códigos de barra em nível industrial. Em setembro, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos empregou o Código 39 para identificar todos os produtos vendidos para o exército norte-americano.

Os primeiros códigos de barras binários em ação

Para consagrar a necessidade de uma tecnologia de automatização de processos pelo segmento alimentício, a Associação Nacional de Cadeias de Alimentação (NAFC) entrou em ação nos Estados Unidos. A entidade emitiu um comunicado aos fabricantes de equipamentos, solicitando um processo capaz de agilizar o processo de pagamento.

Em 1967, a RCA, empresa que comprou a patente da invenção de Woodland e Silver, instalou um dos primeiros sistemas de digitalização em uma loja Kroger, em Cincinnatii, no estado de Ohio. Uma das maiores diferenças do sistema da época para o atual é que eles não eram fixados nas embalagens dos produtos pelas fábricas. Em vez disso, a distribuição de códigos era efetuada pelos próprios funcionários da loja manualmente em cada produto.

Em 1974, foi a vez do primeiro leitor de códigos UPC ser instalado. Isso aconteceu em um supermercado Marsh também em Ohio, na cidade de Troy. E esta é nossa data histórica: no dia 26 de junho de 1974, o primeiro produto foi passado por um leitor digital em todo o mundo. Era um pacote que continha dez chicletes com sabor de fruta.

Nasce o popular código de barras UPC

Esforços conjuntos de várias grandes empresas, em especial na área de informática, foram necessários para que o código de barras UPC fosse amplamente distribuído. Um dos códigos de barras mais difundidos da atualidade, seu nome já anuncia a enorme aceitação: Código Universal de Produto. Composto de doze dígitos, o código é muito comum nos Estados Unidos e no Canadá. A indústria que mais o aplica é o varejo, com raízes marcadas no segmento de alimentação.

Empresas como IBM, RCA e Computer Identics são filamentos cruciais do DNA dos códigos de barra. A IBM exerceu um papel de grande importância quanto a como o sistema seria implementado e como seu funcionamento de forma coesa poderia ser garantido. Para tal fim, a empresa chegou a marcar sessões exclusivas de planejamento, em 1971.

Embora a indústria de produção alimentícia tenha sido muito receptiva à novidade, a varejista oferecia um pouco de resistência. A tecnologia só pode ser adotada de forma global quando os leitores óticos começaram a ser igualmente bem estabelecidos. A adoção dos códigos de barra experimentou, então, um crescimento vertiginoso, que permanece nos dias atuais e se estende a mercados ainda mais diversos, como o de embalagens para transporte e o segmento de logística em geral.